Precisamos conversar sobre o DMAA

Precisamos conversar sobre o DMAA


DMAA

O DMAA pode ser considerado um dos estimulantes mais poderosos da atualidade, mas trata-se de uma substância igualmente perigosa. A dimetilamilamina é um composto químico que atua no sistema nervoso e, apesar de fornecer uma sensação de disposição aguçada, pode trazer inúmeras complicações.

Neste texto, explicamos do que se trata a substância, suas principais formas de atuação no organismo e os motivos de sua proibição em todo o território nacional. Acompanhe-nos até o fim e aprenda a identificar os profissionais habilitados a prescrever os complementos vitamínicos ideais ao seu perfil para perder peso com saúde. Boa leitura!

O que é o DMAA?

DMAA é a sigla para dimetilamilamina, uma substância que, durante muito tempo, esteve presente em diversos suplementos alimentares. A função da dimetilamilamina mais atrativa a esportistas e atletas é a sua promessa de estímulo ao sistema nervoso.

O DMAA foi criado como medicamento para evitar acúmulo de secreções nasais, já que seu principal mecanismo de ação é a vasoconstrição. Até a década de 80, a substância era muito utilizada em descongestionantes.

Alguns relatos afirmam que a substância pode ser encontrada, em sua forma natural, no óleo de gerânio, porém, esses estudos carecem de confirmação científica. Ou seja, ela é completamente sintética.

A fabricação exclusiva em laboratórios é uma das principais diferenças entre complexos vitamínicos e anabolizantes. Os complexos vitamínicos, ou suplementos, podem ser destinados a suprir carências nutricionais do organismo; já os anabolizantes encontram-se na mesma categoria dos medicamentos, e são geralmente à base de hormônios.

Como o DMAA funciona?

A vasoconstrição causada pelo DMAA acontece porque a dimetilamilamina, também conhecida como metilhexanamina, impede a recepção da noradrenalina, um neurotransmissor que regula a pressão arterial e a dilatação das artérias e vasos sanguíneos. Parece que estamos falando grego? Calma, vamos por partes.

A recaptação é um processo de reabsorção de um neurotransmissor depois de ele ter executado sua função na comunicação dos neurônios. Quando o DMAA impede a reabsorção da noradrenalina, a quantidade dessa substância aumenta no organismo.

Com mais volume desse neurotransmissor no nosso corpo, há um aumento da termogênese, da pressão arterial — o que influencia no vigor físico — e da lipólise. Por isso, ela fez sucesso entre atletas, soldados e nas academias.

Outra característica da substância que estimulou o seu sucesso foi a melhora da oxigenação dos músculos, porque a dilatação dos bronquíolos pulmonares causada pelo DMAA melhora as trocas gasosas.

Os estímulos causados pela liberação de neurotransmissores, que são ativados a partir do consumo do DMAA, também são capazes de aumentar os níveis de excitação, influenciando, ainda, no foco e na disposição dos atletas durante um treino.

Além do aumento na pressão arterial, a dimetilamilamina promove a liberação da dopamina, sendo similar à anfetamina. Como esse neurotransmissor causa bem-estar, o desempenho ao treinar sob efeito do DMAA aumenta.

Entretanto, a ANVISA proíbe a comercialização desde 2012. Além dos diversos efeitos colaterais associados à utilização dessa droga que abordaremos no fim do artigo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária reitera o fato de a dimetilamilamina ser uma substância sintetizada em laboratório.

O DMAA emagrece?

Com esses estímulos que explicamos acima no organismo, há mais queima de gordura corporal e eliminação da sensação de cansaço. Nos treinos, isso pode significar melhores resultados e ajudar a emagrecer. Como o nível de oxigênio nos tecidos aumenta, a utilização de DMAA ajuda a treinar por mais tempo.

Outras razões do emagrecimento são o aumento da queima de gordura corporal e a perda de apetite. A queima de gordura acontece porque, conforme os batimentos cardíacos se aceleram, o corpo consome mais energia. Além disso, há um aumento da atividade cerebral.

Já a perda de apetite ocorre porque drogas parecidas com as anfetaminas diminuem a vontade de comer. Elas têm um efeito de satisfação e bem-estar no cérebro. Como o DMAA funciona dessa forma, ele acaba diminuindo o apetite.

Quais os efeitos colaterais do DMAA?

O DMAA oferece riscos à saúde, em especial a pessoas com histórico de doenças cardiovasculares. Uma vez que o estimulante aumenta a pressão sanguínea, os efeitos colaterais da dimetilamilamina incluem alterações cardíacas, convulsões, hemorragia cerebral e lesões no fígado.

Veja os possíveis efeitos colaterais:

  • hipertensão;
  • mal-estar;
  • intoxicação do fígado;
  • dores de cabeça;
  • taquicardia;
  • danos ao sistema cardiovascular;
  • alterações no sistema nervoso (ansiedade, crises de pânico, nervosismo);
  • insônia;
  • hemorragia cerebral ou AVC.

Além de o uso constante de DMAA favorecer a dependência química, a ANVISA também chama a atenção para a falência do fígado e dos rins como consequência do uso crônico do estimulante.

Proibido desde 2012 nos Estados Unidos, o DMAA também não pode ser comercializado no Brasil, mesmo que importado, ainda que seja possível adquiri-lo clandestinamente. Entidades favoráveis à utilização da substância afirmam que o perigo está em seu uso de forma abusiva, não sendo prejudicial desde que seu consumo se dê de acordo com recomendações médicas.

O DMAA já causou mortes?

Na época em que a substância foi proibida nos Estados Unidos, alguns casos com mortes de soldados e atletas ajudaram a questionar o grau de segurança do DMAA. A morte dos combatentes foi destaque na imprensa do país e pesquisadores analisaram seus corpos para descobrir se havia alguma relação.

Uma pesquisa publicada no Annals of Emergency Medicine (Anais da Medicina de Emergência, em tradução livre), em 2012, investigou também a relação de 3 casos de hemorragia cerebral com o uso de DMAA.

No caso da pesquisa sobre os soldados, não houve conclusões. Assim, a própria comunidade científica não tem um consenso sobre o real perigo de morte da substância.

Como a substância não é permitida no Brasil, você não conseguirá comprá-la legalmente por aqui. Mas isso não significa que suplementos permitidos não sejam bons, com a vantagem de serem seguros. Creatina, BCAA e Whey Protein formam uma das combinações mais tradicionais para quem busca energia, aumento de massa magra e perda de gordura.

Para alcançar bons resultados na balança e no espelho, cuide da alimentação, continue com os exercícios físicos e tenha determinação. Quando falamos de nutrição esportiva, não existe milagre. Suplementos — e até anabolizantes — ajudam, mas quem precisa encarar os exercícios é você.

Agora que você já conhece os riscos do DMAA, sabe que não vale a pena se arriscar e tomar algo proibido, não é? É válido lembrar que apenas médicos, nutricionistas, dentistas e farmacêuticos estão aptos a prescrever medicações! Mesmo a adição de suplementos à sua rotina demanda o aval desses profissionais.

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Autor: André Alves da Silva

Criador da nutrição esportiva em farmácias de manipulação no Brasil. Sócio e CEO da Órion Farmácia de Manipulação Esportiva.

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